Vinho e Filosofia

“Existe mais filosofia numa garrafa de vinho que em todos os livros.” (Pasteur)

Arquivo de Cheirar Vinhos

Para voltar a movimentar a casa… :)

Para tirar as “teias de aranha” do meu blog, um texto divertido.

Com respeito ao hábito de “cheirar” vinhos , hábito esse considerado por muitos como uma frescura dos entendidos, o fato narrado abaixo ilustra bem o prazer de se poder perceber e definir pequenas diferenças… desconheço a autoria ou a veracidade, mas faz todo sentido… :)

  
Consta que, certa noite, por volta do ano de 1960, um Sr. entrou com a namorada no restaurante Lucas Carton, Paris,
e pediu uma garrafa de “Mouton Rothschild”, safra de 1928.
 
sommelier, em vez de levar a garrafa para mostrar ao cliente, apresenta o decanter de cristal com vinho. Depois de uma mesura, 
serve um pouco no cálice para o cliente provar.
 
O cliente, lentamente, leva o cálice ao nariz para sentir os aromas, fecha os olhos e cheira o vinho.
 
Inesperadamente, franze a testa e, com expressão séria, pousa o copo na mesa, e comenta:
 
- Este vinho aqui não é um Mouton de 1928!
 
sommelier assegura-lhe que é. O cliente insiste que não é.
 
Estabelece-se uma diferença e, rapidamente, alguns profissionais do restaurante rodeiam a mesa, incluindo o chef de couisine
e o gerente do hotel que, confiantes nos conhecimentos do seu profissional, tentam convencer o consumidor de que o vinho
é mesmo um Mouton de 1928.
 
De repente, alguém resolve perguntar-lhe como sabe, com tanta certeza, que aquele vinho não é um Mouton de 1928.

- O meu nome é Phillippe de Rothschild, – diz o cliente, modestamente – e fui eu que fiz esse vinho.

Consternação geral.
 
sommelier, então de cabeça baixa, dá um passo à frente, tosse, pigarreia, bagas de suor escorrem de sua testa e, por fim,
admite que serviu um Clerc Milon de 1928, mas explica seus motivos:
 
- Desculpe, mas não consegui suportar a idéia de servir a nossa última garrafa de Mouton 1928. De qualquer forma, a diferença é irrelevante.
Afinal, o senhor também é proprietário dos vinhedos de Clerc Milon, que ficam na mesma aldeia do Mouton. O solo é o mesmo, 
a vindima é feita na mesma época, a poda é a mesma e o esmagamento das uvas se faz na mesma ocasião, o mosto resultante vai para barris absolutamente idênticos. Ambos os vinhos são engarrafados ao mesmo tempo. Pode-se afirmar que os vinhos são iguais, apenas com uma pequeníssima diferença geográfica.
 
Rothschild, então, com a discrição que sempre foi a sua marca, puxa o sommelier pelo braço e murmura-lhe ao pé do ouvido:
 
- Quando voltar para casa esta noite, peça à sua namorada para se despir completamente. Escolha dois orifícios do corpo dela, muito próximos um do outro, e faça um teste de olfato. Voce perceberá a sutil diferença que pode haver numa pequenina diferença geográfica…

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